Saímos do condomínio e depois de alguns quilômetros de pedal pela rodovia, fomos abordado por um motoqueiro que fez questão de parar para nos cumprimentar. Era um jovem senhor que nos disse ter sangue de aventureiro. Contou-nos que foi, com sua moto Honda XL 200R, fazer uma viagem pelas fronteiras entre Brasil, Paraguai e Bolívia e, portanto, sabia o valor que tem uma aventura tão longa por rodovias.
Após um dedo de prosa, o motoqueiro foi embora e continuamos pela estrada.
A expectativa era muito grande, porque íamos visitar uma Reserva Indígena. Já na altura de Boracéia, saímos da rodovia e pegamos uma estrada de chão que dá acesso a Reserva Indígena Rio Silveira. Ao passar pela porteira da reserva fomos ao primeiro posto da FUNASA à procura da Edivania para que ela nos indicasse o caminho da casa do índio Serginho. Seguimos pela estrada de chão e logo deparamos com várias ocas construídas de pau-a-pique coberta com palha e casas construídas com madeira da própria aldeia, coberta com telha estilo " Eternit" . Não possuem sanitários em suas moradias, utilizam o meio ambiente. Paramos para pedir informações, mas o casal de índios velhos não falavam português. Seguimos, então, para outra oca e encontramos um jovem índio que nos indicou a direção certa.
Era um rancho ao pé da serra, uma oca pequena e bem simples. Logo que encostamos nossas bicicletas, saiu um indiozinho que, timidamente, chamou a sua mãe. Perguntamos se ali morava o Serginho e a índia nos respondeu que sim e que ele estava roçando no mato, mas rapidamente se prontificou a chamá-lo. Seguimos com ela, pela trilha, até o local da roça. A índia era uma mulher miúda, mas de uma grande habilidade para andar no mato. Subimos ao pé da serra, cerca de um quilômetro . Passamos por baixo de uma árvore que, sinceramente, suei a camisa para não raspar a barriga no chão, mas não teve jeito!
Logo avistamos um homem de pequena estatura com um facão roçando. Lá estava o índio guarani Serginho. Ele conversou com sua esposa, em guarani, e logo em seguida, veio ao nosso encontro. Apresentamos-nos e eu contei a ele que tinha conhecido o Tonhão (Antonio José) da FUNASA, que nos falou a respeito da reserva e das iniciativas que os índios ali desenvolviam.
O Serginho nos contou que aquela área de reserva tem
O desenvolvimento econômico das famílias está baseado no cultivo e comércio da produção agrícola de palmito Pupunha/Jussara/Açai, banana e flor do imperador. Um fato que achei interessante, é que eles mantêm o maior e melhor viveiro de mudas entre todas as reservas indígenas do Brasil. No viveiro cultivam plantas nativas (palmitos), frutíferas e outras diversas espécies para reflorestamento da reserva.
Outro fato muito interessante é que, há um tempo atrás, um grupo de alemães visitou a reserva e propôs pagar aos índios, R$ 50,00 por quilo de semente de Guarandi ( Madeira de lei muito boa para madeiramento ), enquanto que essas semente são vendidas no mercado a R$ 100,00 o quilo e são controladas pelo IBAMA.
Depois de conversarmos bastante com o Serginho e sua esposa, retornamos para a sua oca a fim de pegar as nossas bicicletas e compramos alguns artesanatos para registrar a nossa passagem pela reserva. Mas algo nos chamou a atenção: o filho do casal de índios me ofereceu um presente e, eu não entendi o que era aquilo. Sua mãe, então, me explicou que o menino queria saber se eu tinha mãe. Respondi que sim. O presente que o indiozinho me deu, com o propósito de ofertar para minha mãe, é um palito indígena para prender o cabelo. Em sinal de gratidão, olhei nos olhos do pequeno curumim e lhe agradeci, beijando o presente. Mas percebi que só aquilo não bastava. Ele estava olhando, de um jeito especial, para a lanterna da minha bicicleta. Sem pestanejar, saquei a lanterna do guidão da bike e dei ao curumim. Ele sorriu e correu para o colo da sua mãe.
Existem mais duas aldeias indígenas em Ubatuba: a Aldeia Renascer, que é tupi-guarani e tem um dos caciques mais “brabo” da região, o cacique Toninho Awa.A outra aldeia, Boa Vista, é guarani. Em Parati existem outras duas aldeias também.
Tiramos mais algumas fotos e nos despedimos. Quando voltamos a pedalar na rodovia, já passavam das 12:30 horas, e sem dúvida, a fome apertava. Paramos no primeiro lugar que vendia algo para comer. Era uma pastelaria, a famosa “Pastelaria do TREVO”, onde um pastel mede
Sobe serra, desce serra, passa por cima de ponte e a paisagem começa a ficar cada vez mais bela. Cachoeiras e paredões rochosos. Para cada
Passamos por várias praias, uma mais bela que e outra. Mas, a que mais nos chamou a atenção,foi a praia de Cambury. Que coisa linda! As casas que estão a beira-mar são igualmente belas. Uma característica desse litoral é que as casas e os melhores empreendimentos, estão fazendo fundo com a praia. Então o balneário não tem calçadões, como vemos em Santos por exemplo. Acho isso muito ruim. Como pode uma casa ter o seu quintal na praia, sendo que a praia é publica? Além do mais, essa área pertence à marinha e todos deveriam ter acesso a bela paisagem do mar com duas ilhas ao fundo.
Ao final da tarde, subimos uma serra muito grande e, avistamos à nossa frente Boiçucanga e do nosso lado esquerdo, Camburi, Ilha Montão de Trigo e Ilha dos Gatos. Que paisagem belíssima! Valeu cada pedalada, cada passo que dei na serra e nos trechos mais íngremes.
Chegando em Boiçucanga, ficamos em um hotel na avenida principal de frente com a praia.
Passamos um dia e meio em Boiçucanga para conhecer aquele lugar maravilhoso.
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