Seguimos pedalando pela orla da praia de Itagua e, por volta das 10h30min, entramos no ar, ao vivo e por telefone, no Progrma Cruzeiro em Revista com a radialista Maria Helena Amorim, na rádio Cruzeiro e, após falarmos para os ouvintes, pegamos a rodovia sentido Rio de Janeiro.
Já na Rodovia avistamos a praia vermelha (Ubatuba).Lembrei-me de quando era criança quando meu pai praticava pesca submarina no costão da praia. Que boas lembranças! Não resisti e fizemos uma pequena parada onde ficamos observando aquela imensidão de água cor esmeralda que contrastava com a faixa de areia! Que paisagem.maravilhosa!
No sobe e desce das serras, de um lado a Mata Atlântica, com toda a sua exuberância, encontramos pedras que choram e uma grande quantidade de cachoeiras que formam rios de águas claras, que vão ao encontro do mar onde se fundem em pequenas barras de rio e, do outro lado, costões rochosos com delicados recortes formados pelas ondas do ma, que bate com violência, formando pequenas enseadas e sacos. Sem dúvida alguma Ubatuba concentra uma das mais belas paisagens e praiais de todo o nosso roteiro.
Estávamos cansados de pedalar quando avistamos a placa, na beira da rodovia, que nos dava boas vindas: “Nucleo Picinguaba”, essa foi uma marca importante, tanto quanto, quando passamos pelo portal de UBATUBA. Tínhamos uma expectativa muito grande de conhecer Picinguaba.
Deste momento em diante pedalamos com mais entusiasmo que foi aumentando, quando, mais adiante, avistamos uma outra placa da Secretaria do Meio Ambiente, apontando Núcleo Picinguaba a direita da pista. Pegamos uma pequena estrada de terra a direita, conforme a placa indicava . Pedalamos uns 2 km e logo chegamos ao portal do Núcleo Picinguaba e na portaria fomos informados que o camping e a lanchonete só funcionam aos finais de semana e que teriamos melhor estrutura na vila de pescadores, que estava a 6 km adiante. Na realidade, a nossa programação era para chegar na vila, mas pegamos o caminho errado. Voltamos na rodovia e após pedalar os 6 km, chegamos na Vila de Pescadores na Praia de Picinguaba.
Foi um choque! Nunca tínhamos visto um local com uma identidade única que, nem a ciência consegue clonar tal DNA. Um lugar onde o mar e a cultura cabocla se fundem com culturas de outros povos, como por exemplo, os europeus. Os franceses e alemães visitam constantemente esse local e, o mais curioso, é que caiçaras e visitantes conseguem comunicar-se, seja em uma roda de musica ou final de tarde quando os pescadores retornam do mar com o fruto da pesca.
Hospedamos-nos na pousada da Rosa de Picinguaba. Rosa era – ela faleceu no final do ano passado - uma artista plástica local, conhecida também na Europa, que desenvolvia trabalhos de cerâmica e pintura em tela, num estilo contemporâneo, porém, com traços na sua raiz. Depois de estarmos instalados, fomos jantar no restaurante do PETTER, um descendente de alemão muito atencioso, que nos serviu o jantar pessoalmente, e podemos degustar um delicioso prato a base de peixe, é claro.
Voltamos à pousada e enquanto o João Gabriel pescava nas pedras, fiquei por ali observando as crianças brincando com um brinquedo que lembrou a minha infância. Era um lançador de disco que ao centro tinha uma hélice e conforme puxava uma corda o disco era lançado para cima.
Fui para a sala da pousada onde se encontrava um grupo de pessoas assistindo o jogo do Brasil, mas, como o jogo não estava interessante, começamos a falar sobre a minha viagem de bike. O assunto rendeu tanto que o Julinho, filho da falecida Rosa de Picinguaba, quis nos entrevistar para uma matéria na sua coluna da revista RIDER´s.
A paisagem e o clima são tão diferentes, que não dava vontade de ir dormir. O sono custou a chegar.
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